29 de janeiro de 2013

Jovem ajuda no resgate de vítimas e salva irmão sem reconhecê-lo JÁ SÃO 235 MOTOS CONFIRMADOS


Ao lado do pai, Jovane conta como conseguiu resgatar cerca de 40 pessoas na boate Kiss (Foto: Mais Você / TV Globo)Ao lado do pai, Jovane conta como resgatou cerca de 40 pessoas da boate (Foto: Mais Você / TV Globo)
Jovane Rosso estava na boate Kiss na madrugada do último domingo, é um sobrevivente da tragédia que abalou não só a cidade de Santa Maria, mas todo o país, e, ainda, conseguiu ajudar no resgate de algumas vítimas, inclusive do irmão, Delvani. Os jovens estavam em locais diferentes na hora que o incêndio começou. Jovane saiu logo no início da confusão, porém percebeu, em certo momento, que poucas pessoas conseguiam sair. Foi, então, que ele e um grupo de 10 passaram a colaborar no salvamento.
"A gente começou a entrar na boate e resgatar os corpos que estavam desmaiados no chão, e levar para os bombeiros. Nós conseguimos tirar umas 40 pessoas de lá. Ontem, eu soube que, os caras que estavam ajudando comigo, ou estão no CTI ou faleceram por inalar a fumaça tóxica", relembrou Jovane que completou: "Eu só vi que tinha retirado o meu irmão quando ele estava estendido no chão, em frente à boate”.
José Luis Rosso, pai dos jovens, contou que Delvani está internado em um hospital de Santa Clara. “É lamentável a situação do meu filho. Hoje, nós estamos aqui de coração partido. Só os médicos e Deus para salvar o meu filho. Eu peço às autoridades que reflitam na dor que um pai sente e que isso sirva de alerta para as boates que estão fora de licença. Ontem, nós tentamos transferir meu filho para Porto Alegre, mas ele teve uma queda de pressão", desabafou o senhor, inconsolável. Segundo os médicos, Delvani tem queimaduras em 70% do corpo e o quadro dele continua grave.
Mãe de vítima conta que pediu para a filha não ir à boate
Na noite do último sábado, enquanto acompanhava Natana Canto se arrumar para ir à boate Kiss, Maria Goreti Pereira fez um pedido para a filha, sem saber que aquela seria a última vez que falaria com a menina: “Não vai, é perigoso”. As saídas noturnas de Natana eram raras e, por isso, a mãe estava preocupada com a jovem. “Mas ela respondeu que ia e que me ligava às 3h”, relembrou. No horário marcado, às 3h da manhã de domingo, o telefone tocou, mas, infelizmente, não era Natana, e as notícias não eram as melhores. Uma vizinha queria avisar Maria Goreti sobre o incêndio na casa noturna.
A mãe contou que procurou a filha em vários hospitais da cidade mas não a encontrou: “Eu pulei da cama e sai correndo para lá”. Inconformada, Maria Goreti exigiu justiça pela morte da filha e desabafou: “Fiscalização, para essas mortes não ficarem em vão. Minha filha não vai voltar mas pelo menos vai evitar que isso aconteça novamente. O que eu vou fazer sem a minha filha? Minha vida termina hoje. Meu coração não tem como superar a falta da minha filha, meu coração está morto”.
Daniela da Silva, prima da vítima, também estava na boate Kiss e foi a última a ver Natana. "A gente se viu na boate, se cumprimentou mas depois se separou. Não sei como eu consegui ficar viva, mas fiquei muito triste pela minha prima. A porta estreita, demoraram para abrí-la, tudo muito escuro e a gente não enxergava nada. Vi um monte de gente pelo chão e não tive como ajudar ninguém, eu não estava em condições de ajudar ninguém”, relembrou Daniela, ainda muito abalada pela tragédia.

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